segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A ARQUITETURA DO 11/9

A arquitetura pode brotar dos mais insólitos eventos na história da humanidade, até dos mais trágicos. Os esforços de reconstrução, em decorrência dos atentados de 11/9, começam a se materializar dez anos depois, e assumem papel de destaque no cenário da arquitetura contemporânea.
As torres gêmeas do World Trade Center foram alvo dos extremistas da Al Qaeda, assim como seu arquiteto, Minoru Yamasaki, foi alvo dos pós-modernistas radicais, que decretaram o fim do movimento moderno a partir da demolição do Conjunto Pruitt-Igoe, em 1955, de sua autoria.
O arquiteto faleceu em 1986, sem presenciar o desaparecimento de sua obra prima e a empresa que ele fundou, Yamasaki & Associates, fechou as portas há apenas dois anos atrás, vítima do colapso no setor imobiliário americano, mas, com certeza, desde muito antes o moral da equipe não era mais o mesmo.
Este texto aborda o fascinante empreendimento que resultou desse odioso gesto, fruto do fanatismo religioso.
Criada em julho de 2002, a Lower Manhattan Development Corporation, tem como objetivo a reconstrução dos edifícios, o incremento à ocupação da zona sul da ilha e a perpetuação da memória dos mortos nos ataques.
Após o descarte das propostas iniciais de conhecidos arquitetos de todo o mundo, que se uniram em equipes para projetar o novo complexo, em 2003, o plano diretor de Daniel Libeskind foi escolhido. Desentendimentos com o arrendatário Larry Silverstein levaram à contratação de consagrados escritórios para a elaboração dos projetos das novas torres. O arquiteto Michael Arad foi o vencedor do concurso para o projeto do memorial, entre 5.200 inscritos e o paisagismo ficou a cargo de Peter Walker, que se juntou à Arad na etapa final da competição, a fim de “humanizar” a proposta.
A seguir, os projetos um a um:
World Trade Center 1: David Childs, Skidmore, Owings and Merrill. Também chamada de Liberty Tower é a mais interessante. A planta quadrada no embasamento se transforma gradativamente em octogonal, gerando planos e arestas onde podemos observar várias referências: uma variante simples do projeto de Libeskind para o edifício principal, a escala proeminente das torres destruídas, o perfil de obelisco, e a re-edição da Estátua da Liberdade. A grande antena paira acima do skyline, marcando o ressurgimento do complexo.
World Trade Center 2: Foster and Partners: podemos reconhecer o respeito ao plano original, o edifício é uma composição de quatro prismas de topo chanfrado interligados em planta por um core de forma cruciforme. Apesar da implantação forçada pela conformação do lote, o ático parece fazer reverência à praça. Com certeza remete ao maciço bloco único proposto por Foster em 2002 e à Torre Hearst, também em Nova York.
World Trade Center 3: Rogers, Stirk, Harbour and Partners. Apesar de pregar o oposto, o projeto de Rogers foge do esquema de Libeskind pelo volume monolítico levemente escalonado, pelo exoesqueleto estrutural e pelo coroamento composto de quatro antenas, que lembram o edifício PPG, de Philip Johnson. É favorecido pela orientação diretamente frontal à praça. Aparentemente, a contratante Silverstein Properties apostou no confronto direto dos lordes ingleses em solo americano.
World Trade Center 4: Maki and Associates. Talvez a disciplina e a personalidade dos japoneses, muitas vezes avessos ao star system da arquitetura tenham se refletido nesse projeto. O prédio de Fumihiko Maki é um volume simples, seccionado na porção superior, que se volta diretamente para a praça e à torre 1. O respeito ao plano diretor é evidente, e podemos concordar com o autor quando diz que o resultado denota quietude e dignidade.
Memorial: sem dúvida, o conjunto “Reflecting Absence” é o que mais chama atenção. Apresenta uma incrível carga poética, ao mesmo tempo dramática, talvez só comparada ao Memorial dos Judeus Mortos de Peter Eisenman em Berlim. Os espaços vazios, as quedas e os espelhos d’água simbolizam de maneira incontestável o triste acontecimento que marcou a história contemporânea.
Pavilhão do Memorial e Museu do 11 de Setembro: Snøhetta. O projeto do escritório norueguês tem como função abrigar e conduzir o visitante ao museu, logo abaixo. O volume rompe com a horizontalidade da praça, induz a circulação, e a transparência parcial das fachadas permite a penetração da luz solar nos níveis inferiores. A presença de dois “tridentes estruturais” remanescentes da torre sul recorda as imagens marcantes dos primeiros dias após o desabamento.
Museu Nacional do 11 de Setembro: Davis Brody Bond, atualmente trabalhando em sociedade com Aedas: o projeto tira partido do subterrâneo do sítio, tem enorme impacto o muro de contenção preservado e emprega vários elementos remanescentes do período de escavação, e das homenagens prestadas pelos parentes dos mortos e pelo povo de Nova York. Cabe lembrar que o subsolo do complexo foi alvo de outro atentado, em 1993, igualmente executado pelos terroristas de Osama Bin Laden.
Hub de Transporte: Santiago Calatrava. Desta vez, o pássaro aterrissou entre as “torres britânicas”. A estrutura simétrica é levemente rotacionada em relação aos volumes vizinhos, as “asas” se apóiam, liberando a planta ao nível do pavimento térreo configurando a “gare”. A referência à Estação Lyon-Satolas é imediata.
Performing Arts Center: Frank Ghery, ainda sem dotação orçamentária completa, o estudo preliminar apresentado revela o arquiteto em busca de novos caminhos. Desperta curiosidade saber como um programa que exige amplos espaços foi distribuído numa série de sólidos empilhados “morro acima”.
Concluindo, o empreendimento poderia se tornar o mais novo desfile de vaidades da arquitetura mundial, mas antes disso, é um marco da arquitetura do nosso tempo, um símbolo da superação e do renascimento, e a perpetuação da memória de um dos mais lamentáveis acontecimentos provocados pelo ódio dos homens contra os homens.
Seria também o caso de imaginar o que teria acontecido na capital americana, além da destruição de parte do Pentágono, caso os bravos passageiros não tivessem conseguido dominar os seqüestradores do vôo United 93, que acabou caindo numa fazenda da Pensilvânia, e que tinha como destino o prédio do Capitólio.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

AS DUAS ARQUITETURAS

Acho que não existe dúvida que há décadas vivemos sob o regime de duas arquiteturas.
A primeira representa o mercado imobiliário e as mostras de decoração, resulta do pobre ambiente cultural em que vivemos e da predominância do ter pelo ser.
A segunda representa o meio acadêmico, o pensamento e a pesquisa, a arquitetura conceitual, sem concessão aos modismos, e não necessariamente globalizada.

Quanto aos profissionais, podemos dividi-los em quatro grupos:

• Os totalmente comprometidos com a moda da vez, atualmente, com o neo-neo clássico.
• Os que fazem aquilo que lhes for pedido, seja neo-neo clássico, seja qualquer coisa. Podemos considerar estes até piores, pois os primeiros declaram solenemente que não estão preocupados com o debate, até defendem a “estética do luxo”.
• Os que tentam trilhar o caminho da arquitetura de conceito, mas num momento de desespero, acabam cedendo.
• Os radicais, combatentes, estóicos, que assistem incrédulos a transformação do meio urbano numa colcha de retalhos, da pior qualidade.

Acho que fica claro, para quem me conhece, que faço parte do quarto grupo. Afinal, arquitetura para mim não é simplesmente a profissão que escolhi, e sim uma declaração de princípios pelos quais conduzi minha vida.

Quanto ao neo-neo clássico, não quero me aprofundar sobre suas origens, nem centralizar a culpa, mas não há dúvida que poucas pessoas fizeram tão mal à arquitetura brasileira do que Adolpho Lindenberg. Nos primeiros anos de sua empresa, comercializou casas em estilo colonial e posteriormente, lançou os primeiros edifícios “de grife”.

Tristemente para nós paulistas, esse é um fenômeno regional, ou melhor, metropolitano, ou melhor, paulistano. Até o ano passado visitava o Rio de Janeiro com freqüência, e não me lembro de ter visto um único exemplar de neo-neo classicismo. Mas, se por um lado, os cariocas gozam das investidas estatais e da Fundação Roberto Marinho, tais como Cidade da Música, Museu da Imagem e do Som e Museu do Amanhã, tem que aturar as barbaridades pós-pós modernas construídas na Barra da Tijuca. Sobre a atuação de arquitetos estrangeiros, podemos até perder alguns projetos, mas é muito bom ter edifícios de Portzamparc, Diller Scofidio+Renfro, Calatrava e Herzog & De Meuron em nossa terra.

De qualquer forma, não é preciso que Patrick Schumacher venha ao Brasil nos alertar que estamos perdendo o bonde da história, sabemos disso, e nos entristecemos com isso. Nosso atraso tecnológico, a falta de recursos, a impermeabilidade dos empreendedores e clientes e a “prostituição” de grande parte dos profissionais, nos deixa em segundo plano no cenário mundial. Se não fosse por Niemeyer e mais recentemente Paulo Mendes da Rocha, estaríamos confinados ao submundo da arquitetura.

Quanto ao design de interiores, a mídia especializada e as mostras colaboram decisivamente para a perpetuação desse estado de coisas, pois, salvo raríssimas exceções, não passam de passarelas destinadas ao desfile de profissionais especificadores, desprovidos de qualquer discurso de projeto.

No meu ponto de vista, a única forma de mudar essa situação é exercer ferrenhamente nosso papel de formadores de opinião. Todos têm medo daquilo que não conhecem, e preferem apostar no que vem dando certo (ou vendendo). É necessário provar aos empreendedores que os lucros não seriam afetados, e à maioria das pessoas comuns, que existem formas diferentes de viver e trabalhar, em ambientes projetados através de novas estéticas.

Vou além, acho que se trata de algo maior, como uma revolução cultural e comportamental, a que o país e os brasileiros precisam ser submetidos, já que adotamos o “american way of life”, e o transformamos em “brazilian way of life”.

A boa notícia, é que ultimamente ando notando um pequeno recrudescimento no número de lançamentos de edifícios neo-neo clássicos. As realizações da construtora Idea!Zarvos na Vila Madalena e a contratação de Daniel Libeskind pela JHSF parecem como lufadas de ar fresco no calor do deserto. Mas, a luz no fim do túnel ainda é muito fraca, e acho que tenho alguma noção do que vem por aí.

Há exatamente 25 anos atrás, fui encarregado do projeto do convite de formatura da minha turma do Mackenzie. Convenci a todos que antevia os caminhos da arquitetura, e consegui que aceitassem a reprodução de uma tela chamada 59 Eaton Place, de uma desconhecida arquiteta chamada Zaha Hadid, na capa do convite. Provo hoje estar certo........

domingo, 31 de julho de 2011

POR QUE NUNCA BRIGUEI COM MINHAS EX

Muitas pessoas estranham o fato de durante toda a minha vida nunca ter brigado com ex-mulheres ou ex-namoradas. Talvez tenha dado motivos para que elas brigassem comigo, mas essa não é a questão.
Estou próximo a um casal que recentemente decidiu se separar. Nos meses que virão, algumas coisas devem mudar. É provável, que a partir desse momento, os personagens desse drama passem a atuar de forma diferente. Chegou a hora de tratar o ex-companheiro como oponente, de comunicar-se apenas por e-mails ou por intermédio de advogados, de conseguir o máximo possível na partilha dos bens adquiridos, de brigar pela guarda dos filhos e pela simpatia das pessoas. Muitas manifestações de apoio virão acompanhadas de um “que pena não ter dado certo”.
È claro que deu certo. Se não fosse assim, festas não teriam acontecido, dívidas não teriam sido contraídas, imóveis e carros não teriam sido comprados, viagens não teriam sido feitas, e os filhos queridos não teriam existido.
Mas é, principalmente, a hora de esquecer que já foi muito bom ficar junto.
Lembre-se minha amiga, esse sujeito asqueroso, que te fez perder os melhores anos da sua vida, já foi aquele por quem você passou intermináveis horas em frente ao espelho, experimentou todas as roupas que tinha, mentiu para seu pai em muitos finais de semana e fez planos para a vida toda.
Não esqueça meu amigo, essa coisa insuportável, já foi aquela que te fez deixar os amigos de lado, tomar alguns pileques quando te deu um pé na bunda, passar horas de tocaia na madrugada para saber se ela estava saindo com outro e acreditar que a velhice seria tranqüila.
Talvez, o problema com a maioria das pessoas, seja que elas simplesmente responsabilizam o antigo companheiro, ou o casamento, pela felicidade que não conquistaram.
Assim como a liberdade, a felicidade também é algo a ser perseguido individualmente. Companheiros, filhos, carreira e dinheiro, vêm apenas se agregar às nossas vidas. Para ser feliz com alguém, é necessário ser feliz sozinho.
A psicologia nos ensina, e todos os seres racionais sabem que ninguém é de ninguém, mas quando nos separamos esquecemos como era bom, quando achávamos que tínhamos alguém e pertencíamos a alguém, não é mesmo?

*Postagem autorizada pela atual namorada.

sábado, 21 de maio de 2011

OS V....., VEJA E VALDIRENE

Você sabe que está bem quando os v..... voltam a olhar para você.
Às vésperas de completar 47 anos, emagrecer não é tão fácil assim. Não basta se entupir de verduras, legumes e frutas e correr todo dia, é preciso ter paciência. Mas, a vaidade sempre triunfa, e estou chegando lá. Como sei? Tranquilo, os v..... voltaram a olhar para mim.
A diferença entre os v......e as mulheres é simples: para os primeiros, basta que você esteja bem, para as segundas, você precisa ser bonito, estar bem de corpo, ser inteligente, ter bom papo, ser gentil e cavalheiro, carinhoso, atencioso, sensível, ao mesmo tempo encher de porrada um ex que atazana a vida dela, em muitos casos aturar os filhos malcriados dos relacionamentos anteriores, o cunhado mala, mas principalmente, ter uma boa conta bancária.
Há duas semanas, conversei com uma fulana de 45 anos, que defende aquela velha tese, com algumas variações próprias: num casal, não importa quanto cada um ganha, é sempre obrigação do homem pagar as contas, afinal, a mulher gasta muito para agradá-lo. Segundo ela, mulheres que dividem contas não se valorizam, e é por isso que estão onde estão (onde é que elas estão?). Chegou ao cúmulo de dizer que é preferível passar o resto da vida em casa vendo televisão do que sair e dividir um cineminha. Se tivesse a oportunidade de falar com ela novamente, aconselharia a usar parte do dinheiro em livros e numa viagem para o norte da Europa (é claro, ela só conhece os Estados Unidos). Lembram daquele ditado: “Quem gosta de p....é v...., mulher gosta é de dinheiro”? Triste.....
Por outro lado, o sexo oposto reclama muito do assédio masculino, mas não sabem como é desagradável você tentar almoçar em 20 minutos, e durante todo esse tempo ser encarado pelo sujeito da mesa em frente, sem piscar os olhos.
Mudando para a revista Veja, acho que não renovarei minha assinatura. Na edição de 18 de Maio, com 160 páginas, 71 são de propaganda, 6 são parte matéria-parte propaganda e há ainda um encarte especial de 6 páginas. É muita coisa, exatamente 50% da revista. Para chegar ao primeiro conteúdo de interesse, a entrevista semanal, é preciso percorrer 18 páginas de bancos, carros, fraldas, celulares, etc. Depois a mídia escrita reclama da internet.
Toda vez que a minha fé na humanidade aumenta um pouquinho vem alguém e destrói meu sonho de um mundo melhor. Não pude acreditar que o filhote Veja São Paulo, muito lido por nós paulistanos, tenha perdido 8 páginas numa reportagem com a tal Val Marchiori, ou melhor, Valdirene.
Com certeza, a reportagem deveria chamar “imbecil eu já sou, mas quero ser socialite a qualquer custo”. Páginas de pura cretinice, fazendo apologia ao alpinismo social pago e ao estúpido mercado do luxo, além do guia prático para cabeças ocas brilharem. É claro, a reportagem deve ter sido muito bem paga. O maridão financiador nem aparece, tem medo de seqüestro ou vergonha da mulher? Só fica claro para mim qual o caminho Veja pretende trilhar.
Na verdade, imbecil sou eu, de ter perdido dez minutos da minha vida lendo aquilo. Meu alívio, é que cumpri meu papel de assinante revoltado escrevendo para a revista e que li a reportagem enquanto estava no banheiro fazendo o número 2.
Hellooooo!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

SPIMAROLI

Para alguns, os desígnios de Deus.
Para outros, as voltas que a vida dá.

Aconteceu no último sábado, o 2º encontro SPIMAROLI, reunião das famílias SPINA, MARQUES E OLIVA, frutos do casamento de Gregório Spina e Anna Bizarro em 1898. Com certeza, não poderiam imaginar que estavam começando uma descendência que hoje soma mais de oitocentas pessoas.
Em 1924, seus filhos mais velhos abriram uma empresa de fundo de quintal, que veio a se tornar na década de 70, a Holding Indústrias Reunidas Irmãos Spina S.A., referência no ramo de papel e celulose e a maior fabricante de cadernos da América Latina. Indústrias em São Paulo, Petrópolis e São Roque, parque gráfico, metalúrgica, transportadora, e por aí vai. Muitos que estão lendo este texto não podem imaginar o que foi aquilo.
Mas um dia, tudo isso acabou. Não foi fácil aceitar. Não podemos mais abastecer o carro na Rua do Hipódromo, nossas cozinhas e armários não são mais feitos pelo Clodo, não podemos mais passar os finais de semana na Fazenda Alvorada, e eu não posso mais “filar” um rango simples, mas de primeira, da irmã Maria. Entre mortos e feridos, alguns preservaram seu patrimônio, alguns partiram para uma nova carreira, alguns sofreram muito, e alguns até perderam a saúde e a vida.
Mas a pergunta é:
Será que se a empresa ainda existisse, teria havido esse encontro?
Tive um breve contato com alguns Crespi, mas suficiente para saber como a partilha dos bens levou à desagregação da família. Com relação aos Matarazzo, nem é preciso entrar em detalhes. Todos conhecemos milhares de casos parecidos.
As famílias têm as mesmas características, os membros vão naturalmente se distanciando, nossas vidas estão cada vez mais complexas, etc., mas quase não acreditei em ver mais de quinhentas pessoas reunidas, se beijando, abraçando, um mexendo com o outro, apresentando os novos filhos, lamentando a ausência daqueles que partiram. Alguns que moram em outros países vieram especialmente para o encontro. Total entrosamento entre as gerações. A galera mais nova formando uma turma enorme, típica, mas respeitando os valores que nos mantém unidos. Ninguém bebeu além da conta, ninguém falou bobagem, ninguém virou a cara para ninguém, só o calor atrapalhou.
Ou seja, em total comunhão.
Nunca vi algo parecido.
Segundo alguns, Deus prometeu grandes planos para essa família. Será que existe algo maior do que vivemos no último sábado?

PS: Carlão, sorry, o filósofo da família agora sou eu.
PS2: Para quem conquistou cidadania italiana e não sabe, fui eu quem há mais de vinte anos iniciou o processo Spina no Consulado Italiano. Estava pensando em quanto vou cobrar por isso, mas querem saber, deixa pra lá. Foi um prazer continuar o trabalho que o tio Nicolino fez na Itália, e descobrir tudo o que aconteceu desde que Liberato Gregorio pisou no Brasil.
PS3: Que orgulho ter vindo de Campobasso, e ter como conterrâneo Domenico de Masi, um dos homens mais brilhantes que já conheci.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O DIREITO DE SER BELO E DEFCON1

Correndo ontem no Ibirapuera, e meditando nas palavras do meu mais recente ídolo, Dr. Gregory House, cruzei com os alunos de um colégio que provavelmente foi visitar a Bienal. As professoras e os dependentes encabeçavam a fila, depois os aspirantes a nerds e geeks, as minas (bonitinhas e gostosinhas), os manos com topete pintado, os manos com topete cor natural, e por último, as feinhas e gordinhas. Com certeza, a corrida da vida vai terminar dessa maneira, se as retardatárias não fizerem alguma coisa para ganhar posições. Quando a adolescência chegar, a fase mais bacana da nossa existência, o preço a ser pago pelo descaso dos pais vai ser caro. Os meninos não vão olhar para elas, muito menos “ficar” com alguma delas. Nas festinhas, vão formar aquele grupinho no canto que considera as populares vagabundas, quando na verdade, gostariam de fazer parte da turma. A probabilidade de se tornarem adultas infelizes é grande. Pais menos afortunados não estão nem aí com os hábitos alimentares dos filhos e com a vida que levam. Pais mais abastados têm um controle maior, mas quando dão um carrinho elétrico para um menino, não percebem o quanto estão contribuindo para a infelicidade futura. Em todas as camadas sociais, a obesidade infantil e os vícios correm soltos.
Com certeza seria a última pessoa a valorizar os cabeças-ocas com rostinho bonito, corpinho sarado, e 15 dias de fama. Inclusive, se a Geisy Arruda (que não tem rosto nem corpo) cruzar a minha frente passo por cima, e dou ré para garantir. E nunca vou aceitar a ditadura da modelete lagartixa branca desamparada.
Mas ser belo, ou procurar ser belo, faz bem. Cuidar da aparência, do peso, do que vestimos, do que comemos, é mais que um direito, é um dever que temos conosco. Todo mundo, sem exceção, se sente bem quando é notado e desejado apenas pela aparência física. Faz bem à auto-estima, autoconfiança, e traz benefícios para todos os aspectos da vida. Não há nada de errado em querer melhorar. Vale tudo, fazer dieta, malhar, clarear os dentes, mudar a cor e o corte dos cabelos, um botox aqui e ali, a cinta do Dr. Ray, até uma plásticazinha. Não é preciso exagerar, colocar uma bunda de silicone, como a que vi hoje na internet, deixando a proprietária com corpo de inseto alienígena.
Isto se torna mais importante neste momento da história do Brasil. Vivemos oito anos sob o reinado dos tiriricas barbudos e agora passamos à etapa das mocréias (ver o texto OS CÃES E O MOCREÔNIO). Como podemos esperar que o mundo julgue a América do Sul de uma forma melhor, quando nossas referências são Lula, Evo Morales e Hugo Chávez? Ah, que saudades do Fernando Henrique.
Antigamente, os americanos colaboravam (vide os Bush, pai, mãe e filho), mas até lá a coisa mudou. A mulherada acha o Obama um gato (não seria o Osama, lógico, se bem que aquela barba pode ter múltiplo uso na hora do rala e rola), Hillary Clinton é uma mulher de muita classe, e eles ainda têm Sarah Pailin e o governador Arm Old Schwarz and Egger.
Agora é a vez da Europa quebrar o nosso galho. Sinceramente, não sei o que as pessoas vêem na Carla Bruni. Para mim, ela está para um Fiat147 velho, enquanto a Jaque Khoury está para a nova Ferrari485. Tem um monte de princesas escandinavas que dão de dez a zero na primeira dama da França. O chanceler José Luiz (Mr. Bean) Zapatero não precisa se preocupar com a segurança enquanto as filhas morarem com ele, ninguém seria louco de invadir a residência e dar de cara com uma delas. Só resta mesmo o Berlusconi, o único que preserva o bom gosto e o liberalismo econômico.
É por essas e por outras que há duas semanas me coloquei em DEFCON1. Para quem não sabe, DEFENSE CONDITION é o estado de alerta a que o governo americano submete o país frente alguma ameaça terrorista ou de catástrofe. Varia do nível 5 (mais baixo) ao 1 (mais alto).
Faz mais ou menos um ano que venho me descuidando, parei de correr, comecei a descontar na comida (porcarias e doces), e acabei ganhando mais de quinze quilos. Ainda bem que não perco cabelo, e tenho poucos fios brancos. Mas chega. Já comecei o regime, retomei os exercícios matinais, e faço questão de pegar um solzinho toda hora que posso. Tudo muda, até o fato de ter 46 anos não parece importar.
Mas caso alguém me julgue superficial, ou que supervalorizo a beleza, é sempre bom lembrar que além de cuidar da minha aparência, projeto, planejo, leciono, pesquiso, discuto, organizo viagens, leio, pinto, fotografo, estudo línguas, e nas horas vagas escrevo textos como este.........
Putz, esqueci que o importante mesmo é ser rico.......

sábado, 26 de junho de 2010

A LIBERDADE

No filme O Homem Bicentenário, o “robô” interpretado por Robin Williams, no decorrer de sua existência, vai adquirindo consciência de tudo que o cerca, e decide partir em busca de dois objetivos: tornar-se livre, e posteriormente, ser declarado humano.
Mesmo tendo sido tratado como um integrante da família a qual pertence, a alegação para ganhar a tão sonhada liberdade, é de que isso deva ser algo magnífico a ser conquistado, pois, em toda a história, milhares morreram por ela.
Para ser humano, é preciso ser livre.
Para quem nasceu e vive livre, talvez isto não represente tanto. Em recente visita a Cuba, minha namorada (sempre coerente, pois evitou as armadilhas de turistas preferindo conhecer o interior do país), constatou as benesses da saúde e educação pública de qualidade, mas, que isso não basta. E juntos, meses depois, percebemos as marcas de sofrimento e inferioridade que ainda estampam o povo tcheco, e a tristeza da arquitetura do estado socialista, em contraposição ao maravilhoso conjunto arquitetônico que os homens livres construíram.
Porém, a liberdade, não é apenas o livre exercício da convicção política, religiosa ou futebolística. É um estado de espírito. É ter a consciência do que ela representa para cada um de nós, e preservá-la, como o bem mais precioso que temos.

Reserve alguns momentos do seu tempo, e perceba o quanto você é livre, pois, afinal, nada é mais individual do que a concepção de liberdade.

Segue um pequeno conjunto de liberdades individuais, algumas conquistadas com muito esforço:

*a liberdade (e o alívio) de ser politicamente incorreto, de não gostar de Geisy Arruda e Sarah Jessica Parker, do PT e dos petistas, de Hugo Chávez e dos hermanos, dos fanáticos religiosos e de muitos americanos, dos manos, de pagode e rebolation e de achar que o Galvão Bueno não é tão insuportável assim.
*a liberdade (e a veemência) de não acreditar que a democracia funcione no Brasil, de achar que quase tudo ainda está errado por aqui e que o futebol faz mal para 99% dos brasileiros.
* a liberdade (e a civilidade) de defender a liberdade dos outros, pois, apesar de não fumar, e de não usar drogas, achar que cada um deve fazer o que quiser com o próprio corpo.
* a liberdade (e a enorme satisfação) de fazer uma arquitetura de conceito, sem estar comprometido com as últimas “sic” tendências do mercado imobiliário e da Casacor.
* a liberdade (e o perigo) de andar de moto em São Paulo, e cruzar a cidade de norte a sul em quarenta minutos, mesmo sabendo que meu corpo serve de pára-choque.
* a liberdade (e a necessidade) de dormir pouco, pois a vida passa rápido demais, de ler um livro, assistir mais uma vez a um bom filme, ou começar a trabalhar às três horas da manhã.
*a liberdade de comer porcarias e ganhar quase vinte quilos. Seria ótimo, se não estivesse na contramão da liberdade (e o prazer) de ser vaidoso, cuidar da saúde e praticar esporte.
*a liberdade (e a consciência) de demorar meia hora tomando banho, sabendo que muitas de minhas atitudes compensam o gasto de água.
*a liberdade (e a crença) de que apesar de ter quarenta e seis anos, o melhor da vida ainda está por vir.
*a liberdade (a verdadeira liberdade) de não estar preso a vícios, de não pertencer a algum grupo tendencioso, e de não ser zen.
*e, para finalizar, a liberdade de começar a gostar de cachorro depois de burro velho.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

MOÇO, ME DÁ UM PROJETO?

Num semáforo qualquer em São Paulo:
-Moço, me dá um projeto?
-O quê?
-O senhor tem aí um projetinho para me dar?
-Projeto?
-Ah, já sei! Você deve ser um daqueles caras que não foram homem suficiente para estudar engenharia nem gay suficiente para ser decorador, né?
-Isso mesmo, sou arquiteto.
-E só porque tem estudo acha que pode dar palpite na minha vida e na minha casa. Sabe rapaz, vou te falar uma coisa, isso que você faz não é nada. Eu comecei a trabalhar com treze anos, carregando caixa e hoje tenho um atacadão. A escola da vida é muito mais importante que essas porcarias que você estudou. E olha aí o resultado, eu aqui nesse carrão e você aí de olho no meu relógio.
-Que bom que o senhor pôde comprar esse relógio, mas sinceramente, não ligo muito para isso não.
-E liga pra quê então?
-Gosto de estudar, pesquisar, quero fazer coisas novas e bacanas. Quero mostrar para as pessoas maneiras melhores de morar, trabalhar e usar a cidade.
-Qual é mano, viver melhor do que eu vivo vai ser difícil. Ganho uma puta grana comprando do produtor e vendendo pro lojista. Tenho essa bm aqui, apartamento na praia, sítio, e dinheiro pra gastar com a mulherada. A patroa tem tudo do melhor e levo meu filho para ver o timão todo final de semana, que mais você quer?
-Então me dá um projetinho de interiores...
-No interior?
-Não, arquitetura de interiores.
-Não preciso disso não, eu e a mulher damos conta. Além disso, acabei de reformar meu banheiro, tá lotado de porcelanato e pastilha de vidro. Fiz um box com uns desenhos da hora...
-Escuta, por que ao invés de estudar, você não foi jogar bola, cantar pagode, essas coisas que dão dinheiro?
-Pois é não tenho aptidão para isso e nem acho muito legal...
-O sinal abriu. Bom, a vida é tua, mas se fosse você ia fazer alguma coisa que preste.
-Que tal um rebolation?

flip! (bituca de cigarro sendo arremessada)